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July 19 O TEMPO NÃO PARA Projeto @mar
Integração de Tecnologia à Educação
O Tempo não para
Como referencia, a eletricidade (1873) passou a ser utilizada por 50 milhões de usuários no mundo apenas depois de 46 anos de existência. O automóvel foi criado em (1886) e somente 35 anos depois chegou a essa marca. O telefone (1876), idem: foram mais de três décadas para se disseminar. O rádio (1906), 22 anos. A televisão (1926), 26 anos. O forno de microondas (1953), 30 anos. O microcomputador (1975), 16 anos, e o celular (1983), 13 anos.
A Internet alcançou essa marca em apenas quatro anos, entre 1995 e 1999, em seu período mais comercial. Em março de 2002, já éramos 561 milhões de pessoas plugadas à rede mundial de computadores. De acordo com cálculos do Instituto do Futuro, Califórnia (EUA), uma inovação tecnológica leva, em média, 30 anos para ser realmente absorvida pela sociedade.
O que essas datas e números nos dizem objetivamente? Primeiramente, o que diferencia tão profundamente a Internet das outras descobertas e invenções humanas é o período de tempo de que ela precisou para entrar na vida de milhões de pessoas. Insignificante se comparado. Em segundo lugar, que ainda estamos vivendo um estágio de absorção dessa tecnologia. O que nos leva a crer que, independentemente dessa rápida disseminação, a Internet está hoje, sob uma perspectiva histórica, em uma fase de desenvolvimento embrionário.
Se voltarmos mais na linha do tempo, veremos que a primeira aplicação da eletricidade à comunicação ocorreu no início do século 19 com o telégrafo de Morse. Aí começou a chamada "linguagem digital" e com ela surgiu um volume enorme de termos que não pára de crescer e que precisamos conhecer para participarmos das novas formas de comunicação.
Não faz muito sentido, então, pensar em número de usuários da Internet para avaliar a sua importância e seu impacto em nossas vidas, pessoal e profissional. Para nós do Projeto @mar o que interessa - ou preocupa - é a rapidez com que ela se instala e passa a fazer parte de nossas vidas e de nossa comunidade - quer queiramos ou não, independentemente de julgamentos de valor. E como estamos lidando com isso.
Já em setembro de 99, o News week publicava: "Não existe mais volta. Antes uma novidade, a Internet está transformando o modo como vivemos, pensamos, falamos, amamos, estudamos, fazemos dinheiro, visitamos o médico e elegemos o presidente. Não estamos mais falando sobre o futuro - isto está acontecendo aqui e agora".
E é sob a pressão desse "aqui e agora" que surgem as tensões quando nós, nos propomos a incorporar essa nova tecnologia à prática pedagógica. Temos a sensação de que sempre estamos errados e equivocados. Sentimos que nossas convicções estão fragilizadas, que as hierarquias educacionais há muito internalizadas, resistem aos novos e complexos padrões de ensino que se impõem com força e velocidade assustadoras.
Aí estão: a velocidade, o tempo. Tempo que nem sempre temos, mas de que precisamos. Tempo para uma ampla e profunda reflexão sobre a formação profissional do educador - onde, quando e como ocorreu e, principalmente, em que bases filosóficas ela se fundamenta. Tempo para passar por diferentes etapas de aprendizado e adquirir habilidades para "Lidar com as novas tecnologias".
Tempo para tentar "ajustar" convicções prévias às condições concretas e objetivas com que nos deparamos na execução de projetos que utilizem a Internet, por exemplo. Tempo para reunir condições de associar os recursos que a máquina oferece aos objetivos de atividade docentes. Tempo para discutir, reavaliar e aprimorar as relações pessoais no ambiente Educacional.
Ainda não existem receitas ou modelos, mas algumas certezas. A experiência nos garante: quando se tem sensibilidade e criatividade para se proporcionar esse tempo, temos grande chance de alcançar o objetivo maior: professores integrando não só positiva, mas criticamente novos recursos tecnológicos à sua prática.
Para isso, há que se dedicar tempo, investir em formação e respeitar a trajetória de cada um que, nesse caso, é muito, muito particular mesmo. Diz um ditado popular que o tempo muda as coisas, mas diz também que, na realidade, quem tem de mudar é cada um de nós, com o tempo.
Mais que equipar as escolas com computadores e internet, seria fundamental que nossos governantes subsidiassem computadores com internet a cada professor do ensino fundamental e médio de escola publica e privada de todo o Brasil.
Bons Ventos!!
Projeto @mar
Integração de Tecnologia à Educação
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